World of Darkness

O mundo acabou, não o nosso o da white wolf, mas não se desesperem, eles criaram outro, bem parecido, e vou contar sobre ele aqui.

O mundo das trevas surgiu junto com a primeira versão do jogo Vampiro : a Máscara, era um clima punk gótico implicito, mas depois essa ambientação começou a crescer e tomou um aspecto próprio e específico. Uma ambientação pede três elementos principais, clima, trama e história, sendo os três muito interligados. A prinicipio o mundo das trevas não passava de pano de fundo para o mundo de vampiro, a medida que a White Wolf passou a lançar os novos sistemas, Lobisomen, Mago, Wraith e Changeling o mundo passou a desenvolver aspectos diferentes daqueles específicos ao pano de fundo de Vampiro. Lobisomen pedia uma conspiração, assim como mago, da sociedade “humana”, ou melhor, da sociedade humana influenciada pelas forças “malignas” que se opunham à essas duas criaturas. Changeling por outro lado não comportava o conceito de world of darkness do jeito original, e pedia um clima de world of light, ironicamente pedia as mesmas forças conspiratórias dos Magos que não pediam mudanças no mundo.

Mas a forma final do mundo das trevas não veio com essas criaturas sobrenaturais principais, mas com as secundárias. Com a “entrada” dos ciganos e aberrações o mundo das trevas tomou a sua ultima forma da edição anterior, exatamente por que eram sociedades pequenas que era necessário desenvolver ainda mais as ambientações em que se encontravam do que suas políticas internas. Assim o mundo das trevas tomou um clima específico, que ia para além de uma versão gótica do nosso mundo, como era descrito normalmente.

O mundo das trevas completamente desenhado nos mostrava uma coloração que mais lembrava Arquivo X do que Entrevista com Vampiro. Olhado pelo ângulo anterior de Vampiro, o mundo era palco das angustias e horrores pessoais, os desejos irrepresentáveis e irreprimidos, da decadencia de cada um, uma individualidade exacerbada onde cada um se sentia no direito de buscar desejos mesquinhos normalmente reprimidos. Na versão final a coisa era um pouco mais complexa, era necessário subentender que existia uma política desenvolvida e instituições inteiras corruptas, assim não encontravamos apenas os empresários pedófilos, mas empresas de tráfico de corpos. Essa mudança pode parecer pequena mas no fim do dia faz muita diferença, em relação à como tratar os “mortais” e o que esperar deles, se for possivel para um mortal se envolver com algo perverso relacionado com atividades rotineiras, os humanos não são mais gado e passam a perigo a qualquer momento. Uma guerra é armada entre as facções e todos aqueles que poderiam se colocar contra eles, e não mais entre facções rivais, o tipo de reação é mais forte e paranóica.

Podemos ver essa construção aparecendo já em Lobisomen, Mago e Changeling, os inimigos são muitas vezes humanos mas que trabalham para pessoas “do mal”. Muitas vezes até incorporando essa características para si. A sociedade então tem não só uma direção (como era inicialmente) mas um vetor de aceleração contra qual os jogadores devem lutar, como a banalidade, o paradoxo e a weave. Como um colega meu aponta, “Lobisomen mudou (ainda falava do Apocalipse), ou talvez nunca tenhamos entendido ele direito, o inimigo nunca foi a Wyrm, mas a Weave. A Wyrm pode agredir os Lobisomens, mas a Weave solidifica a destruição e engessa o Lobisomen, temos que lutar contra a Weave”.

Fiz esse panorama para falar do terreno de onde nasce a nova edição do mundo das trevas.

O novo world of darkness parte desse principio agora, que o horror pessoal não tem a ver exatamente com o seu horror consigo mesmo, mas com seu horror com as outras coisas. O mundo já parte da idéia que as pessoas são mais perversas do que estamos acostumados e que por isso é necessário estar sempre atento. Essa perspectiva de cuidado, é uma das explicações de por que lançar primeiro o livro sobre o mundo das trevas com regras para jogar com humanos, por que os humanos estarão sempre na base da “cadeia alimentar” sobrenatural, ele sempre será vítima de alguma forma, e por isso sempre será necessário entender qual é o ponto de vista dele. Uma teoria conspiracional muito bem desenvolvida se apresenta nos primeiros capítulos, para mostrar aos jogadores e ao mestre como é possivel pensar no nosso mundo de maneira mais sombria, nada melhor do que uma conspiração para isso. Na apresentação do livro tem a tradicional “história típica da ambientação”, como acontece em todos os livros da White Wolf, nesse caso a história tem um tom muito mais lovecraftiano do que as anteriores, que partiam para o tom de romance misterioso.

O horror é a nova emoção que define esse mundo, e não mais o suspense. Por causa disso mesmo a White Wolf decidiu diminuir o número de criaturas sobrenaturais por habitante, por que o terror em demasia cria a banalização e não o horror. Faziamos uma piada antigamente que entre todas as tribos, clãs, kith, parentes, contatos, ghouls, tradições, changeling, aliados, lacaios e etc sobravam muito poucos mortais sem relação com o sobrenatural.

O novo world of darkness renova a proposta de apresentar um mundo perigoso, e recria o antigo sistema de jogadas, agora um pouco mais “compreensível” já que a dificuldade é fixa e o que mudam são só os dados e a complexidade da atividade pode ser medida apenas em sucessos e não mais em sucessos e dificuldade.  Jogando com humanos, mortais, pode saber que um cachorro é um dos maiores perigos que você pode encontrar. Da mesma forma, em uma aventura de mortais, só consegui matar o vampiro “vilão” roubando um caminhão e atropelando ele, ou seja, nada mais de super-homens turbinados com faca e ambidestria.

O sistema é muito parecido com o anterior, se jogam d10s, número igual a soma de um atributo e uma habilidade, em algumas vezes agora você pode jogar dois atributos em algumas situações, e agora a dificuldade é fixa em oito, sendo que o dez “explode”, ou seja, você joga outro dado, e o “um” não remove mais um sucesso. Os modificadores situacionais, como escuro, arma, machucados, defesa do inimigo, modifica o número de dados que são jogados. Caso você fique sem dados você ainda tem o “dado da sorte”, onde só é sucesso com dez, e com um “um” você tem uma falha crítica. O sistema peca em alguns pontos, o primeiro sendo a quantidade grande de testes pré-fabricados, exemplos de manobras com muitos detalhes, que poderiam facilmente ser deixados a cargo do mestre e da criatividade dos jogadores. O segundo pecado do sistema é a falta de um atributo de percepção, coisa que faz falta em um sistema que pretende se prender no terror e nos mistérios, mesm oferecendo outros testes, nada substitui a velha e simples percepção. O terceiro pecado, são as virtudes, trocadilhos a parte, o sistema de vicios e virtudes que pedem que os personagens escolham um pecado e uma virtude celeste, o caso é que as virtudes são consideravelmente proximas umas das outras, ou seja, fica dificil as vezes diferenciar claramente onde termina a fortitude e onde começa a fé, ou onde começa a temperança e onde termina a prudencia.

No final do livro você encontra varios exemplos de personagens prontos, armas, equipamentos e outros detalhes interessantes que se encaixam em todos os mundos. O livro traz muitos exemplos de situações em que os personagens costumam se encontrar, como colisões, envolvimento com drpgas, doenças, eletrocução e etc.

Uma critica realista ao jogo é a de que esse livro contem as regras basicas e mais nenhum livro da nova geração contém, por isso você precisa compra-lo mesmo que não pretenda jogar com mortais, mesmo que todos os personagens sejam sobrenaturais, as regras basicas estão todas aqui.

Pros:

  • Sistema completo para fazer aventuras na nossa epoca cobrindo diversos temas
  • Personagens simples de fazer e divertidos de jogar
  • Cobre desde o inicio os perifericos necessarios para os jogos da White Wolf

Contras:

  • Possui vantagens mas não possui um sistema decente de defeitos
  • Nenhum metaplot de onde as aventuras podem partir
  • Mais um livro pra comprar antes de jogar Vampiro, Lobisomen, Mago…

Editora: White Wolf

Be the first to comment

Leave a Reply

Your email address will not be published.


*