Diga não ao cavaleiro das bolinhas amarelas!

cavaleiro das bolinhas amarelas
cavaleiro das bolinhas amarelas

Faz muito tempo (e por muito eu quero dizer muito mesmo) que eu acompanho os sites de RPG por essas bandas. Não é um acompanhamento muito fiel, eu confesso, mas pelo menos acompanho como a grande maioria dos rpgistas: quando eu preciso! Quando a falta de idéias é tamanha que sou obrigado a apelar para a internet… Quando estou precisando de alguma imagem/música para usar num jogo… Quando quero me atualizar a respeito de lançamentos, regras ou… Simplesmente quando a taxa de RPG no meu sangue esta tão baixa que passar 15 min. num portal de RPG é suficiente.

Porém, de uns anos pra ca passei a freqüentar também sites estrangeiros. Sejam grandes portais, sites de editoras, blogs perdidos, etc. Enfim, o propósito deste post é justamente falar sobre isso.

O começo:

Todo mundo sabe da falta de editoras sobre RPG por aqui. Tirando aquela que monopoliza as traduções das grandes editoras americanas e meia dúzia de pequenas editoras produzindo material próprio, mas sem suporte algum, não há uma produção rpgistica (se é que essa expressão existe…) condizente com o numero de jogadores. Em poucas palavras falta material.

Então, a conseqüência lógica é que, com a internet dando sopa, todo mundo se da o direito de escrever (infelizmente!!!), criar sistemas, regras, subsistemas, ambientações, etc. etc. e etc. Uma procura rápida mostra blogs, portais e até na comunidade de relacionamento mais usada como temos material de sobra sobre novas classes, raças, feats, magias, armas, clãs, disciplinas, ordens e tudo mais: Seria tudo lindo e maravilhoso e eu agradeceria ao Flying Spaghetti Monster todos os dias pela dádiva da criatividade dada ao ser humano se… essa criação toda não fosse péssima… Eu acho muito legal house rules, classes, raças, clãs, ordens novas, mas é horrível como o que mais se escreve sobre RPG se resume a isso. Eu sei que ninguém tem como montar um time de play teste, revisar, adaptar, editar e tornar jogável, mesmo porque o autor da classe de prestigio do cavaleiro das bolinhas amarelas não tem como propósito fazer isso. Ele quer no máximo postar a sua classe no Orkut ou no seu blog para mostrar para os amigos e familiares e quem sabe usar ela numa sessão ou outra. Ou seja, criamos material novo porque não temos nada pronto por ai. E antes que que alguém pense que estou falando mal da criatividade, please, leia um pouco mais.

Deixando o cavaleiro das bolinhas amarelas de lado um pouco, o que percebi quando saltei pelas fronteiras do nosso pais, é que o material produzido por editoras em inglês é muito maior do que eu imaginava. Fica realmente difícil criar algo novo sozinho, porque provavelmente já tem alguém que pensou, escreveu, editou e colocou a venda a sua idéia muito antes dela surgir. Fora a famigerada Wizards, existem muitas outras editoras (formadas principalmente por quem já foi da Wizards, TSR, White-Wolf, etc.) imprimindo livros sobre RPG pra &!#*@! E tirando o viés capitalista do mal do nosso hobbie favorito (do qual falarei em outro post, inclusive sobre a minha visão da pirataria…) essa abiogênese rpgistica é sim boa porque, na pratica libera tempo pra melhores jogos. Mestres se concentrando numa história boa e jogadores com personagens mais divertidos. E pra você que ainda não entendeu, eis aqui um exemplo:

Hmmm; vou montar uma ambientação com macacos alados que cavalgam repteis azuis e onde todo plebeu é mago naturalmente. Mas espere, existe uma ambientação sobre seres alados e outra sobre macacos. E tem o livro X sobre regras pro-avançadas de ride (cavalgar), e ainda três livros completos de editoras diferentes sobre magos. Obviamente eu poderia perder alguns meses de vida criando tudo do nada, ou usar algo pronto e me concentrar na historia.

Espero que ninguém em sã consciência jogue uma coisa dessas, mas meu ponto e justamente que o contexto político das nossas editoras estraga o nosso jogo. Podemos criar é claro, mas dificilmente criaremos algo tão bom como quem trabalha e dedica todo o horário comercial de pelo menos cinco dias por semana apenas pra isso. E se mais gente pudesse trabalhar com isso por aqui seria muito melhor. E eu seria uma delas é claro.

Enfim, meu stress não é com o direito das pessoas exercerem sua criatividade, mas com onde ela é exercida. Ela só é exercida onde é porque não temos opção.

Pra finalizar andei conhecendo também uns blogs de gente que le o que eu leio, e que também coloca a opinião em blogs. Eis aqui os dois exemplos:

http://www.rolando20.com.br/

http://www.areacinza.org/

edit: imagem de Daniel Adami

2 Comments

  1. Concordo contigo: tem muita tranqueira por aí. Eu tento colocar coisas mais plug & play, algo que dá pra colocar em uma aventura ou outra, sem grandes dificuldades, lá no Rolando 20. A 4ª edição ajuda nesse aspecto também. Mas o que acho mais legal são os posts (e o podcast) onde converso (na forma dos comentários) com os outros internautas sobre os aspectos de jogo, regras, erratas, estilos de jogo, etc. Nisso a Internet contribui bastante.

    Um abraço!

  2. A primeira coisa que me vem a cabeça é com tanto material produzido pelos jogadores e pelas empresas , fico imaginando se o meu material que vou produzir vai servir de alguma coisa ou alguem vai utilizar.

    Gostaria sim de produzir mas materiais de Rpg alem de se divertido , vc mantem um contado direto com algo de que vc goste.

    Ja pensei muito em produzir material para 4 edição , mas com as licenças da wizard a coisa broxa legal , logo só podemos abordar toda a coisa superficialmente.

    As pessoas produzem material pq gostam , pq querem variedade , logo se a gente for ficar esperando conteudo novo da Devir por exemplo a gente morre e não ver a metade do que sai lá de fora.

    Todo mundo sabe que tem livros que não sai aqui no Brasil nem a pau pela Devir , logo vem a necessidade de buscar conteudo em ingles e produzir algo em portugues.

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