A gente não quer só comida a gente quer livro

A wizard está anunciando já o Martial Power 2, já lançou o Player’s  e o Monster’s 2 e disse pra gente se acostumar…

A White wolf tem mais suplemento que prega-no-cú-de-virgem, ou como diria Cobby MUDAFUCA-CHITE-LOUDI de suplementos, mesmo pros sistemas mais recentes.

Afinal, de quais a gente precisa? A gente compra por comprar? Eles fizeram lavagem cerebral na gente ou diminuiram nossa auto-estima?

Como diria o locutor do telecurso 2000: Vamos pensar um pouco…

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Bom pra começo de conversa “Por que sim não é resposta” como dizia já o bom e velho Telekid.

Algum motivo tem ué! Eles lançam muitos livros, a gente compra um monte, lê metade e usa pouca coisa pra jogar, já que todo o material de campanha muitas vezes é criado pelo mestre assim como pelos jogadores (os personagens por exemplo).

Poderiamos dizer que os livros nos ajudam a se inspirar, mas aí teriamos que incluir filmes e músicas e outros livros que não são de rpg no pacote. Em geral damos mais valor para os livros de rpg nessa equação.

A primeira resposta sera no formato de uma pequena historinha:

Era uma vez o primeiro rpg(D&D), ele envolvia grupos e masmorras e dragões. Ele era propriedade de uma editora formada por três letrinhas. Ao longo de poucos anos (4 anos)  ele logo lançou uma segunda versão (AD&D), que ficou conhecida até como um jogo separado do primeiro por mais que dividisse a premissa. O primeiro jogo teve então uma nova edição (7 anos depois do seu lançamento) e o segundo (AD&D) ganhou a segunda versão  11 anos depois. Esse ultimo foi o rpg mais jogado até hoje, o mais conhecido e o mais referenciado.

Mas aí aquela editora de três letrinhas estava falindo, e se vendeu para uma produtora de um jogo demoniaco e viciante de cartinhas. Jogo esse onde as cartas nunca paravam de ser lançadas, com uma pequena e discreta discrepancia em poder, e assim você sempre tinha que comprar mais e mais, enriquecendo nossa nova editora. A nova editora enxugou o quadro, despediu mais de 100 funcionários da antiga editora e estabeleceu novas metas para gerar lucro, a primeira delas era: uma nova edição do jogo.

Então 11 anos depois da ultima alteração, foi lançado uma nova e triunfante edição (3ª edição). Com estratégias de mercado agressivas e um time muito bom eles dominaram novamente o cenário rpgistico e ampliaram seu alcance. Em 3 anos, eles corrigiram detalhes no sistema que agora era jogado por milhões de pessoas ao invés de centenas de playtesters, e lançaram sua edição revisada (3,5).

5 anos depois…. cá estamos, no segundo ano da quarta edição, e algumas pessoas ainda se perguntam POR QUÊ MEU DEUS!!?

Simples: por que nós compramos!

É um mercado meu deus do céu. Não tem haver com as regras nem com correções, tem a ver com dinheiro. Pode parecer bobo, e todos dizem que sabem disso, mas ainda se perguntam se o terceira é melhor ou se eles deviam ou não ter feito isso… Gente! A mesma coisa aconteceu 9 anos atrás com o terceira edição…

exatamente a mesma coisa…

Primeiro ponto importante então em ter em mente: compramos os livros não só por que gostamos do cenário ou das regras mas também por que nos acostumamos… Não se preocupem, não vou começar meu próprio projeto Mayhem, não sou Tyler Durden. Mas mesmo assim acredito que poderiamos filtrar melhor o material que compramos.

Leia o material, alguma coisa, qualquer coisa! Certifíque-se que o material é importante para você. Que você irá lê-lo e usá-lo no futuro.

Mas o mais importante é : saiba que você também pode criar seu próprio material. O rpg é sustentado pelo consenso do grupo, não da comunidade inteira, mas do grupo que joga, então se for aceito- use.

Esse movimento não é nada novo, muitas das coisas que nós liamos na Dragão Brasil tinham sido criadas por alguém do grupo de jogo do Cassaro e do Saladino. Mas só por que estava em papel brilhante nós davamos mais valor.

Sabe uma das matérias mais aclamadas de toda a história da Dragão Brasil: Cainitechs

Um clã de Caitifs que desenvolveram uma disciplina que na verdade eram modificações cibernéticas. Uma zuera criada como piada e que caiu no gosto do povão. Assim como a maior parte dos detalhes de tormenta que evoluiram de matérias zuadas e detalhes da revista, como o Paladino e o Mestre Arsenal.

Matérias simples, criadas por jogadores como eu e você, muitas sem a intenção de serem bem feitas e que no final virara o cenário mais jogado no Brasil.

Got it?

8 Comments

  1. Sempre achei uma forma de desrespeito da Wizard com seus jogadores e essa inundação de livros que eles sempre lançam.

    RPG é imaginação , é livre , ou seja pra que vou comprar um manual dos monstros se tem monstros pela net ou blogs e ate mesmo em aventuras como o Pendor das Sombras onde posso fazer monstros com blocos de estatisticas similares aos que vem em suplementos ou aventuras gratis que a Devir ta colocando no site deles????

    Pra que que vou comprar um manual do mestre se eu ja sei as regras de como se mestra e como se poe armadilhas e como se faz uma historia????

    Vamos pensar um pouco galera

  2. Não acho nada de mais ela lançar muitos livros, ela lança material novo, porém não algo realmente necessário, logo, compra quem quer, ninguém é obrigado a isso, eu sou moderador de comunidades de rpg e o maximo que tenho de material do tipo na minha casa são algumas fichas e dois D6..

  3. Olha, eu também não gosto da atitude das editoras em lançar livros e livros quando estes não incluem nada de valor ao jogo, principalmente quando começa a chegar no nível do ridículo (como os tradicionais suplementos de ambientes, trazendo regras pra deserto, lugares gelados, etc.).
    Só que isso não é específico da Wizards. Todas as editoras fazem isso. As pessoas aqui no Brasil adoram citar a Wizards, mas a White Wolf é tão caça-níqueis quanto. E quase todas as outras editoras que conseguem criar um sistema que caia no gosto dos jogadores acabam fazendo o mesmo.

    • Claro cesar, concordo completamente, por isso até que citei logo no começo a quantidade de livros que a white wolf lançou, que é ridicula, não menosprezando o jogo…
      Mas discordo que sejam todas as editoras, na verdade tem editoras que não se dedicam com tanta força a lucrar ao máximo e lançam um número limitado de livros por ambientação. Ex: Fantasy Flight, Privateer Press, Malhavoc Press dentre outras.

  4. Uhum, correção minha então: todas as editoras com sistemas/cenários maiores. Quanto maior o número de jogadores do cenário/sistema, mais as chances da editora começar a lançar livro atrás de livro.

  5. Infelizmente essas mesmas editoras grandes estão cometendo o mesmo erro das decadentes gravadoras grandes de discos, se apegando ao lucro de produtos físicos com a durabilidade falsamente reduzida pelo fluxo artificial das novidades, em vez de ganharem em cima da prestação de serviços de suporte aos usuários de suas instruções de jogo, deixando esse trabalho ser feito quase voluntariamente por revistas especializadas que também não recebem nem mesmo o aval para produzir material que possa ser considerado oficial, ficando reféns dos cânones de cada ambientação. Boa vontade tem limite, ainda mais quando se precisa colocar comida na mesa e criança na escola entre um pleiteste pago e outro de um jogo inacabado (“expansível”) e incompleto (“modular”).

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