Então você quer lançar um sistema?

Então você escreveu um rpg caseiro e gostaria de publicar? Ou considera um azar não ter o dinheiro para publicar aqueles rascunhos, enquanto a wizards nada em dinheiro?
Saiba por que, mesmo com dinheiro, você não ia conseguir publicar aquilo…

Playtesting. Simples assim, sem teste seu sistema não funciona direito, isso não sou eu que digo, isso são os próprios gigantes do rpg como Monte Cook e Steve Jackson. Seu sistema precisa passar pelo “teste de realidade”, pelo ir e vir de vários jogadores com intenções diversas tentando encontrar brechas no seu sistema, seja para não jogar os dados, seja para roubar na configuração do personagem ou até para simplesmente achar erros e reclamar da inconsistencia do mesmo.

Não chore, ainda é possível publicar, ou lançar em pdf de graça na net, basta você colocar o sistema em teste, mas para fazer isso você precisa antes concretizar uma coisa: Cortar o cordão umbelical com seus escritos! Apenas depois de saber, não só desconfiar, mas realmente saber no fundo de suas entranhas, que aquele sistema ainda é tosco, ruim e não esta pronto para ser lançado, e que uma grande dinâmica e jogada que você criou terá que ser eliminada ou brutalmente alterada para que o sistema funcione.

As vezes o processo de teste é tão longo que o rpg é realmente escrito quando ele começa. Os erros e mudanças são tantas que muitas vezes, se você quiser que ele funcione, é necessário voltar a mesa de rascunhos, ao brainstorming original e redescobrir o sistema por fora.

Um exemplo legal de como isso pode acontecer foi com o “A penny for my thoughts”, onde o autor buscava criar um livro que fosse indiferenciado entre uma orientação para pacientes psiquiatricos, e o jogo de rpg em si. As orientações de jogo são dadas em voz ativa, sendo lidas para os jogadores como se fossem pacientes amnésicos, recebendo do médico (o mestre) orientações para aquela terapia de grupo (sessão de jogo). Até aí era apenas a proposta do jogo, mas com o passar do tempo o autor percebeu que precisava reescrever por que os jogadores não estavam compreendendo, teve que cortar cenas que não acrescentavam muito, relocar outras para outros momentos da narrativa que fizessem mais sentido com o rítmo buscado dentre outras alterações.

De uma certa forma o mestre está sempre escrevendo um rpg que gostaria de jogar, dessa forma ele esta constantemente testando o jogo em sua cabeça, mas no final ele é apenas um jogador, e pode compreender aquela experiencia de uma posição limitada. A quarta edição de D&D foi desenvolvida exatamente em cima do feedback recebido de jogadores de rpg que estavam se envolvendo mais em jogos eletronicos do que em jogos “de mesa”.

Mas isso não é só playtesting reverso é pesquisa de mercado, que alguns podem até chamar de playtesting reverso, o que podemos usar disso para nossa discussão?

Bom, talvez o tempo de playtesting possa ser diminuido se a pesquisa do gosto do cliente for feita com mais certeza antes. Nesse ponto que muitos de nós pecamos, escrevendo obras enormes sobre fantasias pessoais e montagens muito individuais sobre uma ambientação ou sistema. Então antes de tentar escrever algo que ira fazer parte da diversão de um grupo, tenha mais clareza do que esse grupo procura. Pergunte para os jogadores!!!

5 Comments

  1. Muito bem lembrado.

    Desviando um pouco o assunto… Estou numa fase aonde estou criando muito material de RPG, mas estou correndo dos sistemas. É difícil criar um sistema sem perder muito tempo. Prefiro aproveitar algo já existente, me parece mais prático. Quando uma idéia fabulosa surgir eu crio meu sistema e começo todo esse processo…

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