Book Review – Iron Kingdoms World Guide

Olá marujo, hoje vou mostrar como se aproveita uma oportunidade comercial. Há alguns anos eu lido com uma mercadoria não muito utilizada nessa região do Atlântico. Tenho certo tino, muito bom gosto e consigo com alto grau de acuracidade determinar quando um produto tem qualidades que possam ser exploradas. Agora aproveitando que o produto acaba de aportar por aqui vou expor minha opinião sobre ele pra avaliarmos se vale a pena explorarmos esse segmento. Leia-se: atacar os navios que contenham essa carga…

O ano 2003, o evento Dragon Fest – primeira e única edição. Lá estava eu, reunido com amigos que são grandes colaboradores da comunidade rpgística, visitando os diversos stands do evento quando reconheço em um deles dois irmãos gaúchos que estavam expandindo o negócio da família começando uma editora de material rpgístico. O primeiro evento paulista com o pessoal da Jambô que estavam divulgando seus primeiros materiais, dentre eles a primeira parte de uma aventura a qual que tinha lido alguns reviews muito positivos em sites especializados: A Mais Longa das Noites, primeira parte da Trilogia do Fogo das Bruxas (originalmente conhecida como Witchfire Trilogy).

A Mais Longa das NoitesEstimulado por um dos meus conhecidos donos da editora eu comprei a aventura e me apaixonei pelo cenário. Os Reinos de Ferro simplesmente me cativaram, auxiliados por um ótimo enredo e trama da aventura assim como pelas ilustrações maravilhosas de um de meus artistas favoritos (Matt Wilson) menos de um mês depois eu já tinha em mãos o resto da trilogia de aventuras e passei a acompanhar de perto os lançamentos do cenário.

Com certeza um dos lançamentos mais aguardados por mim foi o Iron Kingdoms Word Guide, afinal ouve um intervalo de seis meses entre ele e o lançamento do seu antecessor Iron Kingdoms Characters Guide. Assim aproveito o ensejo do lançamento de sua versão nacional semana passada para apresentar o meu Review comentado e cheio de spoilers:

Book Review – Iron Kingdoms World Guide

IKWGNotem que em todos os livros do cenário no final da página de créditos, nas letrinhas miúdas que detalham os direitos autorias e que normalmente são chatas, há uma piadinha com o leitor tanto nas edições em língua inglesa quanto nas de língua portuguesa.

Os editoriais da Privateer Press costumam ser bem passionais e cativantes e o do IKWG não é uma exceção. Na verdade é aqui nesta página que nos é transmitido as primeiras informações e os reflexos destas sobre o cenário sobre os acontecimentos narrados em WARMACHINE: Escalation (NA: que eu também tenho original com todas as suas páginas totalmente coloridas): A invasão de Llael pelo exército khadorano.

Antes de prosseguir destaco duas coisas:

Primeira, os Reinos de Ferro são na verdade o pano de fundo do jogo de miniaturas sobre simulação de guerras fantásticas (wargame em inglês) WARMACHINE da própria Privateer Press. Pode parecer estranho, mas após o lançamento da aclamada Witchfire Trilogy os game designers da editora utilizaram as idéias do cenário para explorar esse mercado, o qual aparentemente fazia parte dos planos deles desde o início (NA: acredito que essa estratégia tenha sido muito benéfica para o cenário como um todo sem ela não haveriam warcasters e guerras praticamente constantes). Apesar da disseminação de Wargames ser imensa na América do Norte e Europa, no Brasil ele parece não ter florescido apesar de inúmeras tentativas de empreendedores desbravadores.

Segunda, toda a atualização do cenário em termos de história acontece primeiro em suplementos do Wargame só para posteriormente ser espelhado no RPG, mesmo o cenário tendo suas raízes fecundadas com o lançamento da aventura dois anos antes do lançamento do wargame (2001 e 2003). Assim, a invasão de Khador da Llael não foi nem sequer mencionada no IKCG apesar deste ter sido lançado na mesma data que o WARMACHINE: Escalation.

Depois do editorial pulamos diretamente para o sumário do livro. Considerando que o IKCG possui uma introdução maravilhosa que transmite a mentalidade do cenário e depois do sumário um resumo biográfico dos autores e que no próprio editorial é admitida à possibilidade de se adquirir apenas o IKWG sou da opinião que os mesmos deviam ser duplicados neste livro também.

Capítulo 1 – History & Time Line: Enquanto no IKCG nos é passada uma abordagem mítica da história dos Reinos de Ferro aqui nos temos eventos passados de uma maneira mais histórica do que a versão apresentada do Iron Kingdoms Characters Guide. Uma decisão editorial maravilhosa em minha opinião. Quando comprei o IKCG fiquei um pouco perdido com o pouco de história que era descrito nas páginas, mas depois de esperar os seis meses de intervalo entre o lançamento do IKWG eu me surpreendi com a idéia toda. O IKCG nos passa uma visão temporal do ponto de vista dos personagens do cenário enquanto aqui temos a visão mais usual para utilização do mestre.

Aqui como de costume temos um pouco da história das raças mais antigas antes de descobrirmos como se transcorreu a história da humanidade. Dividindo a timeline em eras e discorrendo sobre marcos históricos chegamos à parte final do capitulo onde descobrimos detalhes sobre os acontecimentos mais recentes com uma nova luz sobre eles até chegarmos aos tempos atuais que foram acompanhados pelos fãs do cenário.

A trilogia do fogo das bruxas foi resumida ao levante da legião de almas perdidas e invasão Skorne, o que é a abordagem mais apropriada em minha opinião. E finalmente temos mais detalhes sobre a brilhante campanha militar Khadorana e seus reflexos no cenário dos Reinos de Ferro. As ilustrações do capitulo oscilam entre coisas que acreditamos que nossos primos mais novos poderiam fazer como a representação dos Colossos de Guerra, até ápices dos desenhos de página inteira em PB como a invasão Orgoth e os avanços científicos durante o Quiet Century.

Capítulo 2 – Industries, Institutions & Society: O melhor capítulo do livro. Descrição dos tipos de indústrias mais proeminentes explorando também um pouco a evolução das mesmas em base dos acontecimentos históricos, seus reflexos para o meio-ambiente (sim detalhes sobre os efeitos da poluição) chegando a detalhes sobre a imprensa e processamento de alimentos. Nada muito técnico mas o suficiente para não só satisfazer nossa curiosidade sobre pequenos detalhes da vida da população mas também enriquecendo e avivando a descrição do cenário: homens esperando trens lendo jornais e mendigos usando seus dedos para retirar os últimos pedaços de alimento das latas de comida descartadas no lixo.

Temos também um resumo sobre o comércio de cada reino, assim como mais detalhes sobre as moedas nacionais (NA: meu grupo de jogo faz questão de saber em que tipo de moedas eles serão pagos afinal 100 royals não valem tanto quanto 100 crowns e as moedas do protetorado não valem em nenhum outro lugar). Lógico que se temos comércio e moedas, jornais periódicos, charutos e trens temos também bancos. Afinal podermos juntar tudo isso com as armas de fogo e fazermos um verdadeiro faroeste (O Bom, o Mau e o Cara com Prótese Mekanica).

As organizações mercantes detalhadas servem tanto para temperar o cenário quanto para servir como verdadeiras peças chaves de campanha. Embalado por uma lista de profissões e descrição das principais vias de transporte (temos até pedágios), com direito a descrição dos trechos conectados por trens e dos principais modelos de barcos do cenário e que desemboca em uma descrição sobre pirataria…ahhh pirataria, a maresia, o vento nas velas e o cheiro de pólvora queimada… ops, acabei sonhando acordado desculpe…

Depois, temos uma das melhores partes de todo o livro, ‘Educação de Aprendizado’. Páginas e páginas que vão dar ainda muito mais sabor as histórias dos personagens e ás descrições do narrador. Com lista de locais de treinamento militar, universidades e outros bastiões de aprendizado. Depois temos descrições sobre tipos de entretenimento e recreação, por que afinal os Reinos de Ferro ainda estão livres da maldição da TV. Como não podia deixar de ser temos um pouco sobre crimes e punições aos mesmos com até uma tabela referenciando os mesmos por reinos (muito útil para narradores).

O capítulo termina com descrições de organizações e grupos mercenários dois aspectos que também podem por si só gerar campanhas e campanhas ou então apenas servir de pano de fundo do cenário. Como podemos notar esse capítulo contém muitas informações condensadas que são de extrema utilidade para grupos que adorem detalhes, não que a coisa esteja pronta para ser inserida em uma aventura mas foi esse capítulo que definiu minha visão do cotidiano do cenário. As ilustrações também variam de qualidade, do tosco aventureiro profissional e o pirata sem estilo até a impactante arena e as extremamente bem representadas gaiolas suspensas.

Capítulo 3 a 7 – Descrições de cada um dos reinos (Cygnar, Khador, Occuped Llael, Protetorate e Ord). Esses capítulos seguem um padrão:

O mapa político/econômico do reino com suas subdivisões territoriais cidades, rotas, locais de interesse e ícones marcando locais de produção/exploração de recursos econômicos. Seguido por um resumo de sua situação atual e uma pequena ficha de status gerais: nome do governante, tipo de governo, nome da capital, grupos éticos expressivos e sua respectiva população aproximada, línguas comuns, descrição geral do clima e do terreno e listagem de principais recursos naturais.

Uma descrição da história do governante com ilustração própria, intercalado com uma lista de todos os governantes reconhecidos do reino (com início após a assinatura do Tratado de Corvis) discriminando o período de governo, nome às vezes acompanhado de algum fato histórico, duração total do período de governo e causa da morte. Temos também uma lista de títulos hierárquicos. Depois uma mine descrição das sub-regiões seguida por descrições de todas as cidades do reino por ordem alfabética com governantes locais, população, descrição militar, lista de produtos importados e exportados, a descrição em si, lista com descrição de pessoas notáveis da cidade e finalmente locais de interesse com descrição (quanta descrição na mesma sentença).

Tudo isso cheio de barras informativas, idéias de plots e ilustrações que tentam dar uma noção do aspecto geral de cada governante, sub-região e cidade. A quantia de informação relevante é descomunal, lembra os suplementos regionais de Forgotten Realms, como se todas as regiões constassem em um único livro, o que é exatamente o caso dos Reinos de Ferro.

Capítulo 8 – Cryx, Ios, Rhul & More: Teoricamente esse capítulo esta agrupado junto com os últimos cinco, até mesmo no sumário do livro, mas não para mim. Em primeiro lugar por faltam informações mais detalhadas sobre os governantes, depois pela falta da utilíssima tabela auxiliar de hierarquia mas principalmente por que o capítulo 2 não reflete nos territórios aqui detalhados. Não que faltem informações aqui, mas apenas que faltou uma contextualização delas em um grau tão aprofundado quando os reinos humanos.

Concluindo o Iron Kingdoms Word Guide consegue ser detalhista o suficiente para dar muita cor e sabor a campanha sem exagerar na medida deixando tudo maçante (não que não hajam partes mais chatas de se ler). E tudo isso sem citar nenhuma regra, listar feats, classes ou coisas que o valham. Praticamente só informação descritiva com tabelas auxiliares. Em minha opinião um ótimo livro em uma escala de 1 a 10 ele ganha um impressionante 8,5.

Agora marujo se você não tem o seu exemplar do Iron Kingdoms Word Guide eu sugiro agarrar a oportunidade do seu lançamento em português por que vale muito a pena. Agora agarre aquela corda antes que percamos essa corrente de vento, eu quero chegar ao porto mais próximo e conseguir mais rum, o meu estoque esta praticamente esgotado e você sabe como fica o meu humor quando fico sem rum…

4 Comments

  1. Mesmo pensando na utilidade de jogo, por as regras estarem “defasadas” já que a pE vai labçar regras novas, deu uma vontade de comprar o livro! Mesmo eu quase decidindo não fazer isso!

  2. Estou extremamente tentado a comprar o Guia do Mundo. Mas antes queria saber algo: não irei narrar em D&D, será que o Guia de Personagens tem alguma utilidade? Por que notei que no Guia do Mundo não há material descritivo acerca da Magia e Religião…

    Braços!

  3. Caro Fagner,

    O Guia dos Personagens é sim extremamente util,seu post até me inspirou a escrever um review dele, logo aguarde o mesmo para saber os motivos. Afinal não posso culpa-lo por não dar crédito à palavra de um pirata…

    PS: não gostei muito do último CD… rs

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