Filmes sobre RPG

Bem, como uma das voltas ao site, vamos nos dedicar à outros temas relacionados à rpg. Um deles será sobre filmes e sua relação com nosso jogo, que também é narrativo, que também tem gêneros, pontos de virada, protagonistas e diretores. Como introdução ao tema vou antes de tudo falar sobre filmes onde aparecem cenas de rpg, filmes que lidam principalmente com o jogo de grupos, com rolagem de dados, com documentários e mockumentaries desse nosso outro esporte nacional.

Alguns filmes falam de jogos que são mais do que a realidade, como Jumanji, e desses eu não irei falar aqui, outros não falam de jogo mas nos lembram muito do que é a experiência de jogar rpg, como “Vidas em Jogo” com Michael Douglas, e por mais divertido e bem feito que seja esse filme, também não falarei dele e de similares. Irei apenas citar os filmes onde aparecem pessoas jogando e como elas se comportam jogando,existem romances, documentários, pseudodocumentários e filmes de estudante sem muita definição. A grande parte desses é feita me cima de jogo de mesa, especificamente D&D, por mais que eles não sejam citados diretamente por questões de direitos autorais.

Mesmo que você nunca tenha assistido, e nem tenha muita curiosidade, é interessante conhecer algum desses para saber o que se anda dizendo sobre o nosso hobby e muitas vezes conhecer nosso hobby sob outros olhos.

Considere daqui pra baixo uma zona de SPOILER.

Gamers (2006) [não confunda esse com “The Gamers”, mais famoso do qual eu falo por último]- Esse filme é um dos que teve maior custo de produção desses que citarei, com atores de verdade e diversos cenários, mostra um grupo que estaria completando 23 anos seguidos de jogo, é um pseudodocumentário sobre a vida dos jogadores. Os jogadores vão um por um contando sobre sua vida, como conheceram e o que sentem pelos outros jogadores desse grupo de Demons Nymphs and Dragons, literalmente “DND”. Sem-graça, tenta diversas vezes fazer o espectador rir com cenas estupidas como o jogador que pede musicas no rádio para homenagear sua personagem morta, ou o jogador que tem como trabalho masturbar cavalos e outro que compõe música para crianças. Sobre o jogo existe realmente pouco e no final eles decidem que devem para um pouco de jogar e “dar um jeito na vida”.

Nota 2, pelo esforço, ou como dizia meu professor “pela tinta da caneta”.

Fellowship of the Dice (2005)- Uma história relativamente simpática de uma mulher que procurando se livrar do tédio da prisão domiciliar entrando num grupo de rpg. Novamente um filme com o formato de pseudodocumentário com partes de história das pessoas que jogam. Feito com atores relativamente bons você chega a ficar em duvida se são realmente jogadores problemáticos ou bons atores representando essas pessoas. A minha questão maior com esse filme é exatamente essa de jogadores problemáticos, a impressão que passa é que o roteirista não gosta muito de jogadores, por que um tem síndrome de tourette, outro é quase autista sem conseguir manter relações com as pessoas apenas gritando o que quer, o mestre é absorvido em si mesmo, a jogadora nova (protagonista) passa 80% do tempo desconfortável e se perguntando por que devia estar alí, e uma ultima que é tão patologicamente tímida que tem menos falas no filme que Darth Maul teve na Ameaça Fantasma. Com todo esse “cenário” você deveria esperar muita comédia, mas o filme se arrasta por mais de uma hora, com longos silêncios inquietantes e personagens pelos quais você não chega muito a se identificar ou torcer. Mais uma peça onde aparentemente o diretor se achou mais importante que o roteirista e decidiu dar um tom “artístico” pro filme.
Dificuldades a parte, o filme é recheado de cenas com jogadores reais em convenções, dando depoimentos, e esse documentário (real) sim é interessante, as pessoas que foram selecionadas tem uma paixão pelo jogo e diversas coisas pra contar, você fica esperando para saber qual sera a próxima história daquele cara de dentes pontudos, o cara de barba com a capa escura ou aquela mulher gorda com vestido da idade média. No final da história do pseudodocumentário a garota conversando com oficial responsável pela sua prisão domiciliar conta que, durante o jogo não pensou em usar drogas nem se embebedar, meio piegas mas bonitinho até.

Nota 5, pelo documentário e pela mensagem do final.

Darkon (2006)- Um documentário sobre um mundo de live action medieval com o mesmo nome do filme. O filme mostra a história de diversas pessoas, focando sempre no jogo, o que elas acham do jogo, como elas se sentem, como entraram, o que fazem fora dele. Enquanto mostra os jogadores individualmente, mostra como a intriga cresce mesmo dentro de um jogo de fantasia e mostra a revolução de “paises” menores contra o país imperialista que tem como objetivo dominar todos, uma trama bem interessante e mostrada de forma sensível, pegando nos pontos onde a vida pessoal dos jogadores se entrelaça nas decisões que eles traçam dentro do jogo. O filme traz um leve foco no comandante dos “insurgentes” e nas dificuldades que ele tem dentro e fora do jogo, e como uma tragédia você não deixa de se sentir movido vendo-o perder a empresa do pai e seu reinado.
No subtexto do documentário, um dos poucos (dessa safra aqui) que realmente tem subtexto, o diretor não deixa de ressaltar como é importante o espaço de expressão para essas pessoas e de como os mais motivados e envolvidos dentro do jogo tem vidas que realmente os desanimam e preocupam fora do jogo, como que um aviso de que alguns problemas externos são levados para dentro de Darkon. Eu particularmente não gosto de live, e quando jogo eu prefiro os de vampiro à os estilo que temos aqui no Brasil com o grupo Graal, mas mesmo assim gostei de assistir.

Nota 6,5, pelo documentário interessante e bem editado, as histórias reais comoventes dos jogadores.

Astropia (2007)- Esse filme alemão realmente me pegou de surpresa a primeira vez que o assisti, ele começa como um filme normal mesmo, com atores profissionais e um romance de uma jovem meio perdida depois que seu namorado vai preso. Ela perde o emprego e vai trabalhar em uma “loja nerd” onde seu patrão insiste que ela jogue rpg para saber o que ela esta vendendo. Um dos “descendentes” de The Gamers, esse filme intercala cenas dos jogadores jogando à mesa com cenas dos atores interpretando os personagens. A história é divertidinha, os jogadores são simpáticos, a protagonista é bonita e mostra aos poucos como o jogo vai ganhando espaço em sua vida. No final ela passa de uma loirinha qualquer sem-graça para alguém com sentido em sua vida, com garra, e claro, começa a namorar o jogador tímido mas bonitinho. O único problema desse filme, para os nossos critérios aqui de hoje, é que ele tem poucas cenas de jogo realmente, a história se passa muito mais fora da mesa do que nela, mas quando chegamos na mesa de jogo é realmente divertido, como quando ela fica enfurecida com os problemas do ex-namorado e massacra os inimigos no jogo para descontar sua raiva.

Nota 7, boa história, bem escrita e dirigida. Poderia ser mais, e os alemães poderiam usar menos água oxigenada no cabelo.

The Gamers: Dorkness Rising (2008)- Ou simplesmente “The Gamers 2” não chega a ser continuação do filme “The Gamers” mas o inicio de tudo. Uma produção bem mais recheada de recursos, esse filme tem diversas locações, atores de verdade (que não riem da própria atuação no meio da atuação como no primeiro Gamers), e uma história paralela ao jogo, similar um pouco ao Astropia, uma história de amor. Em poucas palavras, técnicamente o filme é melhor que o primeiro, até com direito a roteiro e participação do grande Monte Cook, na prática o primeiro é bem mais engraçado. As referências ao jogo em sí são bem divertidas, como o jogador hardcore que faz um “treinamento militar” para lembrar das fraquezas e hps dos monstros, ou o jogador que fica esquecendo que interpreta uma mulher e age como um homem e o ótimo bardo que não consegue ficar vivo por cinco minutos e que sempre faz a cara mais estúpida que eu ja vi quando toca seu pequeno banjo. Tem as boas referências de metajogo que fizeram sucesso no primeiro, como os jogadores que carregam o que querem, esquecem de interpretar o que não sabem e as vezes se irritam com a perda de oportunidades de ganhar grandes poderes.
Esse segundo filme foi escrito e dirigido pelo mesmo roteirista e diretor do primeiro, ele interpreta “Mitch” o colega de quarto do personagem principal que esta sempre bêbado e caido no chão quando não esta arrotando e passeando pela casa.

Nota 6,5, história mais ou menos, várias cenas de jogo e vários conflitos divertidos que realmente vemos na mesa quando jogamos.

The Gamers (2002)- Esse é o “primeiro e grande” Gamers, famoso e assistido por muitos, ele existe no YouTube para ser sempre apreciado. Ele é um filme relativamente curto, 50 minutos, com baixissimo orçamento e feito por amadores, onde acompanhamos um grupo em uma sessão, vendo os jogadores jogando intercalados com cenas deles interpretando seus personagens. Os “atores” não sabem atuar e se perdem na interpretação de suas falas fazendo com que elas pareçam forçadas e fora de lugar, o mestre é especialmente inespressivo e parece reçem acordado de um coma. Os cenários são ruins e as locações exteriores (onde eles interpretam os personagens) são monótonas e lembram o quintal de alguém, o material das fantasias são medianas e a iluminação não é tão ruim assim para um filme estudantil.
Mesmo assim esse é o melhor filme desse gruop, o mais engraçado, com as melhores piadas, e uma ótima edição entre as cenas dos jogadores e personagens. As referências meta jogo são bem divertidas como os personagens falhando e passando em testes improváveis causando efeitos engraçados, pessoas interpretando mal, atacando o vilão no meio do discurso, ignorando o personagem do jogador que faltou e usando as regras de forma bizarra só por que o “livro não diz que eu não posso”. No final … bem esse é um dos probemas do filme, além de ser curto, ele realmente não possui uma história, e muito menos um final, que nada mais é que um “mindfuck” típico de um estudante de cinema que não sabe acabar seu filme.

Nota 7,5, se você não rir nesse filme, é por que nunca jogou rpg… ou por que não tem senso de humor.

Por enquanto é isso macacada. Algum comentário, pedido ou reclamação?

Tenho um pequeno pedido pra fazer: Alguém sabe onde eu arrumo o torr… quero dizer o endereço de uma locadora onde eu posso alugar esses dois filmes que ainda não consegui assistir: Über Goober e THACO?

Se alguém souber de mais algum divertido pode comentar também que eu com certeza vou assistir assim que possível.

6 Comments

  1. mano vou ver se eu não rir a culpa e de vcs pq jogo rpg des dos 9 anos de idade com meu irmaõ e amigos q trouxer4am o rpg pro meu municipio e o grupo mais lendario daqui vamos la

  2. cara, mandou bem demais. que postagem foda. primeiramente conheci esse vidas em jogo que é muito foda! você ta ligado de outros como ele? com uma temática meio rpg, mas indiretamente. Vou assistir os outros filmes também, dos que você falou só conheço os The Gamers que são hilários.
    Mandou benzão, valeu!

  3. Muito bom!
    Infelizmente o filme Gamers(2006) não esta mais disponível em lugar nenhum :'(

    Alguém tem para compartilhar???

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